Luar de verão
O que vês, trovador? - Eu vejo a luaQue sem lavar a face ali passeia;No azul do firmamento inda é mais pálidaQue em cinzas do fogão uma candeia.
O que vês, trovador? - No esguio troncoVejo erguer-se o chinó de uma nogueira...além se encontra a luz sobre um rochedoTão liso como um pau de cabeleira.
Nas praias lisas a maré enchenteS'espraia cintilante d'ardentia...Em vez de aromas as doiradas ondasRespiram efluviosa maresia!
O que vês, trovador? - No céu formosoAo sopro dos favônios feiticeirosEu vejo - e tremo de paixão ao vê-las -As nuvens a dormir, como carneiros.
E vejo além, na sombra do horizonte,Como viúva moça envolta em luto,Brilhando em nuvem negra estrela vivaComo na treva a ponta de um charuto.
Teu romantismo bebo, ó minha lua,A teus raios divinos me abandono,Torno-me vaporoso... e só de ver-teEu sinto os lábios meus se abrirem de sono.
terça-feira, 20 de maio de 2008
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