A poesia pós-romântica
Poderíamos afirmar que a poesia atual começa a desenhar-se após as experiências do Romantismo. Muitos poetas, nos dias de hoje, vivem entre a herança mística, sombria do Romantismo, e uma aguda intelectualidade e visão racional do mundo; entre a simplicidade de exposição de suas idéias e a profundidade complexa dos conteúdos expressos; entre a preferência por palavras simples e consideradas pouco poéticas e o estranhamento e falta de intimidade com a linguagem. Uma das características mais modernas da poesia atual é a tendência para a contradição.
Por contradição entendemos conflito. Esses conflitos surgem entre diferentes elementos. Entre o assunto tratado e a proposta do gênero do texto, como quando o poeta fala de pobreza e miséria, mas reconhece que os poemas, usualmente, procuram fugir desse tema. Há conflito também entre o desejo de ser lido e a utilização de uma linguagem hermética, difícil e rebuscada. Conflito entre a sensação de não ser compreendido pelo leitor e o desejo de falar-lhe. Conflito entre a necessidade de viver no mundo, com as palavras do mundo, e o desejo de chegar ao desconhecido. E a lista de contradições e conflitos poderia continuar...
Os conteúdos dos poemas tornam-se então, estranho ao leitor, deformados pelo olhar do poeta. Não há uma preocupação com a realidade em si, mas com o desejo de transformação do eu diante do mundo. Assim, transformam-se as distinções entre belo e feio, por exemplo, e a palavra ‘escarro’ em Augusto dos Anjos, torna-se parte de um jogo de rimas, dentro de um soneto. Algo que dificilmente passaria pela cabeça daqueles que vêem o mundo de um modo mais romântico e sonhador.
Conflito não significa completa negação do modelo do Romantismo. Ao contrário, muitos dos ideais e contribuições do Romantismo foram absorvidos pelo simbolismo e por outros poetas pós-românticos.
A poesia passa, desse modo, a evitar a intimidade comunicativa. Ela não quer ser íntima do leitor, mas desafiá-lo e provocá-lo. Suavidades e sentimentos ao cortados por palavras desarmoniosas, e a linguagem, ao mesmo tempo que atrai, perturba.
No Brasil, em um primeiro momento, além de alguns poetas que não se filiam a nenhum movimentos específico, dois movimentos literários vão seguir essa orientação transgressora: o Parnasianismo e o Simbolismo.
Parnasianismo: É na convergência de ideais anti-românticos, como a objetividade no trato dos temas e o culto da forma, que se situa a poética do Parnasianismo. Seus traços de relevo: gosto da descrição nítida, concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima e, no fundo, o ideal da impessoalidade que partilhava com os realistas do tempo.,
Simbolismo: A arte pela arte é assumida por eles (os simbolistas) mas retificada pela aspiração de integrar a poesia na vida cósmica e conferir-lhe um estatuto de privilégio que tradicionalmente caberia à religião ou à Filosofia.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
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